segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Minha saúde não é de ferro

Acontece que na contagem dos dias a gente pensa, mais do que faz. Mas vai dizer que o tempo não é a melhor maneira de a gente encarar a vida...? De um lado, o ponteiro que marca os fatos; do outro, o ponteiro que marca as histórias. Entre uma coisa e a segunda, a leveza de ser o que é sem a pressa de 'tornar-se', ou a nostalgia de 'ter sido'.

As conversas descabidas mais iludem que desfazem os nós. E eu, que adoro uma complicação me entrego em 3,2,1 pra uma masturbação mental daquelas de passar o almoço mexendo a farofa no feijão. Desenfreada, eu não passo sequer um dia sem que brote aquele "mas e se?" entre a certeza e a vontade derradeira de fazer... E acontecer. Só que no que acontece, ocorre que nem mesmo aquilo que não brota em nada gera nada, porque é das exclamações e interrogações que a gente chega a um ponto final.

Meu problema é que nesses papos de botequim (todavia fora de hora, e de espaço), é que eu nunca ouço e saio como quem escutou a hora certa no rádio. Eu fico pensando, pensando, pensando... Penso até que a angústia me leva ao nada. Imagino! Mas então porque diabos eu não aceito e me aproprio das convicções, ao invés de ficar lamentando as horas e traçando centenas de devaneios sobre as incertezas...??

{nem aqui, nem acolá}

Juro que tentarei me manifestar cada dia menos a respeito de tudo. Mas enquanto isso, vez ou outra, me pegarei falando daquilo que não tenho propriedade pelo simples fato de gostar de uma boa prosa. Mas não pretendo mais confundir boa prosa com conversa fiada. Essa última, só me traz caraminhola. E quando não, acabo por me enterrar numa porção de pensamentos feito lagoas rasas; que além de rasas, são também vazias.

Tenho acesso a muita coisa que preferia não ter. E às vezes até me pergunto se é por curiosidade que me escapa, ou se por um acaso as pessoas vêem em mim um ser humano confiável. De todo, não dá pra dizer o contrário, mas o problema é que minha maior infidelidade acaba sendo com a própria mente.
A boa (ou péssima?) notícia é que sou um bocado flexível... Ou diria volátil.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

7 x 1

O Brasil perdeu... Justo no dia que ela perdeu também a razão. Foi à cidade providenciar o presente que daria a ele como prova do que o coração sentia. Nenhum dinheiro em nenhuma banco de nenhum caixa eletrônico. Tudo vazio. Sem presente, pensou "- Se o Brasil ganhar, ao menos eu falo". Mas o Brasil... O Brasil perdeu.

Eram 7 votos contra 1 pra que ela desse o que resolvi chamar de voto de misericórdia. Foi derradeiro. Tão derradeiro como os gols que se davam naqueles oito minutos de #EsquecePerdemos. Mais tarde, nesses mesmos "oito minutos", enviou uma mensagem que dizia quais os planos demasiadamente calculados para aquela data, mas frustrantemente (e repare na definição da palavra¹), o gol contra veio como uma lâmina afiada em seu peito.

Desvairada! Imagine só... Imagine a quantia de lágrimas que pôs se derramar quando da sua pseudo expectativa ela conquistou apenas o 'mensagem visualizada por'. O coração já nem sabia mais o que sentia. Enganado, humilhado, desconcertado.

Pensou estar na Bélgica quando entrou no supermercado e contando as moedas encontrou uma promoção na prateleira de bebidas quentes. Comprou algumas latas e veio caminhando como se estivesse num vídeo clipe agoniante. Fantasiosa e levada pelos sentimentos que criara, tomou aquelas cervejas quentes como quem toma um copo de água depois de caminhar na esteira por 45 min. E assim como na esteira, todo o caminho percorrido não a levara a lugar nenhum. Patinou. Dançou nos sentimentos e confiou que seu próprio plano de voo pudesse alçá-la do lugar.

Já virada durante o caminho de volta, encontrou um vizinho que costumava cumprimentar de longe e perdeu a noção do tempo que ficou lá; sentada em um devaneio insólito e descabido, ela aceitou os conselhos que o tal vizinho deu, mas mal conseguia ficar de pé quando disse que já estava tarde.

Depois de contar a ele o motivo paspalho pelo qual bebia aquelas latas quentes e chorava amargurada, ele a levou pelos braços até a rua de sua casa... E contando os passo até descalçar o tênis e abrir a porta, a última coisa de que se lembrava era "Tú é forte, mas precisa reconhecer a fraqueza".

No outro dia com a boca marrenta como se tivesse devorado um cacho cheio de bananas verdes, ela se levantou e recolheu as coisas que tinha espalhado pela casa. Olhou no celular e viu que fotos, mensagens e notas havia excluído. Nenhuma lembrança materializada. Nenhum rastro para provas concretas. "- Me livrei", pensou.

Há uma semana o sentimento preso lhe trazia a sensação de carregar 552 Kg nas costas. Livrou-se deles, mas enganou-se quando achou que se livraria também das tais lembranças. Tê-lo em sua companhia era quase como um tradição. Vivia o corriqueiro, e muito embora tivesse a certeza que jamais leria de novo aquelas derradeiras mensagens, ela sabia que, no fundo: a memória é - entre outras coisas - o fardo da alma.

{sua última aparição...}

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Uma média logo cedo

Passei o dia entre a linha do telefone e a linha do mouse. não, pera! eu não tenho telefone em casa; só tenho celular. mas supomos que tivesse eu teria passado o dia desse jeitinho que descrevi. fui a padaria comprar um pão pra almoçar e na volta passei no salão pra aparar a franja que cortei na última terça-feira e ficou torta. como sempre.

então voltei mais tarde e, a pé, sentia o vento gelado que bateu contra o meu rosto desprotegido. saí de cachecol, mas as bochechas avermelharam. nesse intervalo acabei sentando pra tomar algo. entrei num café e pedi uma média. acalento.

então me mandei com as moedas no bolso da calça e coloquei o cachecol diferente de como estava, pois já não precisava proteger de todo. o leite quente deu uma esquentada na pele descoberta e agora só minhas mãos permaneciam geladas... nos últimos dois meses elas só ficam quentes quando acordo. tenho vivido, como diria o velho deitado, "fortes emoções..."

entre uma espécie de raiva que às vezes, pungente, me acomete, acabo sempre me deparando com outra coisa. que tbm não é o oposto de raiva, mas é uma quietude que vem num pós choro. chóro sempre, sacumé?! só não choro em filmes. raramente! essa semana mesmo assisti a um que 98,3% do público feminino choraria. mas eu não; e não porque sou durona. pelo contrário! mas porque alguns roteiros me deixam tão aquém da veracidade que confesso ser um bocado realista. embora, pessoalmente, exista virtude em chorar no cinema. na maioria das vezes sou palco da minha própria atuação babaca.
com o programa de edição de fotos aberto, passei a tarde editando imagens e trabalhando nos textos que tenho de entregar pra edição deste mês. a propósito, a última vez que escrevi por aqui ainda fazia reportagem na editoria de economia do jornal local. agora trabalho em casa pra uma publicação voltada ao público xovem, mas acho que daqui uma ou duas semana irei pra uma Redação 'provisória'. veremos...

ontem a noite tive de responder a uma pergunta engraçada que, na verdade, acabou entregando toda ebulição que venho sentindo... "- me dá três qualidades dele". não sabia muito bem como responder, e comecei a imaginar adjetivos subjetivos, mas na primeira tentativa escutei um "mas isso? e cê não acha ele bonito? gatão?" e num riso acho que transpareci toda a minha atração admiração rsrsrs.

eu sei lá o que é lidar com essas coisas! e isso 'lá' se aprende? verdade seja dita, independente do que vier a acontecer, a dor... a dor precisa ser sentida! e assim como escutei também na noite passada, a principio isso pode parecer ruim, mas na realidade existe sempre um propósito de aprendizado naquilo que acontece com a gente. e todavia eu não tenha telefone em casa, sei que a preocupação com as coisas que não posso controlar é uma besteira gigante. o que? a conta? não! a linha. xii, me perdi.

são quinze para às 22h. e eu só queria dizer que é bom não ter certeza de tudo, mas neste momento eu, pelo menos, sei que o forno tá ligado e que meu jantar está pronto. vai um pão de queijo?


{escutando}

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Aspirador de pó

Uau, uau, uau... E lá se foi 2013. Lá se foi Londrina, lá se foi família, lá se foi comidinha na mesa, roupa passada, cama estendida, almoço de domingo, vida de recém-formado... Lá se foi o ano que durou, pelo menos, o peso de uns três.

Quanta coisa não aconteceu entre o primeiro de janeiro até este trinte e um de dezembro que agora nos acomete. Pergunto-me o que é que impulsionou chegarmos até aqui acabando com o ano antes que ele acabasse com a gente. Fora tudo o que já se sabe sobre a existência humana e sua capacidade em criar novos hábitos mesmo em esferas diferentes, penso que tenha algo maior.

Por diversas vezes durante os doze meses que agora se esvaem, quantas oportunidades não fomos tentados a desistir e sucumbir à ideia de voltar. Entre o ir e o sair pela porta de emergência, a corrida atrás do vento acabava soprando na direção contrária. Até se perceber que havia, ali, levando em consideração a menor distância, com melhor pavimentação, e considerando a opção mais recomendada pelo DNIT, nesses 516 km que me afastavam da tal ‘zona de conforto’, ééééé, tinha mais do que uma simples força de vontade em permanecer.

Mas imaginando todo este espectro de viagens fantasiosas ao redor do drama que consiste o viver, algo protagoniza um roteiro que de cabo a rabo acaba servindo de mola propulsora para nos levar a qualquer que seja nosso objetivo. Ambição, anseio, competição... Tudo isso pode, sim, potencializar a caminhada, mas nada disso é tão grande como aquilo que escolhemos pra chamar de SONHO.

Existe em cada um de nós uma vontadezinha, ainda que do tamaninho de uma formiga, a garra de carregar a folha até o destino onde pretendemos chegar. Identificar esse tal destino é que versa o grande desafio. Pois fazemos tripa coração para sobreviver em meio aos caos diário de nossas aflições recorrentes das adversidades humanas... A insegurança, a indecisão, a autossuficiência, o orgulho... Vez ou outra, olhamos no espelho pra dizer bom dia à alma. O corpo se estabelece feito um aspirador de pó que varre da nossa ‘casa’ tudo aquilo que pensamos não estar o.k., e junto da sujeira, vai o par de brincos que perdemos há tempos no tapete camuflado.

De carona com o fim de ano, vem sempre a vontade de remexer a poeira e reestabelecer novas metas. Pelo menos é o que me ocorre neste momento. Pessoalmente, acredito que não só é hora de trocar os lençóis e passar um pano na janela, mas também se faz necessário levantar o colchão e ligar a mangueira na vidraça. Pensar em novas metas é, de fato, uma coisa boa, mas ainda melhor é recordar das coisas que deixamos para trás sem resolver ou assinar o veredicto de ‘finito, afirmo e dou fé’.

Decidi que abrirei o velho saco do aspirador de pó e vou caçar o par de brincos filho da mãe que perdi há tempos. Se encontrar, pretendo polir, limpar, metê-lo na orelha e sair por aí bela e formosa. Darei de mentalizar novos projetos e pretendo fazer o que está ao meu alcance.  Mas se a hora pede planejamento, olharei no relógio ao menos durante os segundos daquele minuto que antecede a meia noite, e me permitirei refletir no impossível; pensar no inatingível e naquilo que só a fé poderia nos dar. Dá licença, meu bem, vou voltar a sonhar!


{Instagram do dia}

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Quando cheguei

Nove meses desde que cheguei a Joinville. Paguei por uma cama num hotel de frente a rodoviária e até hoje escuto por isso. 'Novo Horizonte' era o nome da espelunca que repousei naquela madrugada de 05 de março. Foram nove meses até aqui...

Nesta gestação, pari um amor, uma mala nova e uma máquina de lavar pra chamar de minha. Isso sem falar nas coisas que deixei de citar, oras. Dobrei camisetas, as vesti de novo, preguei pregos, escolhi o cheiro do amaciante, perdi ônibus, perdi emprego, perdi a razão, encontrei amigos, um novo sustento, uma bicicleta e até livros novos eu encontrei.

Quantas vezes entrei no café da Dona Francisca, onde a atendente - uma moça graciosa -, me chamou pelo nome! E por falar em nome, que alegria deu na primeira vez que o porteiro do Manchester me cumprimentou "- Bom dia, Renata!". A gente precisa se reconhecer no mundo, saber onde está. Precisa ser chamado pelo nome, ou qualquer coisa parecida com isso. É preciso identificação. E eu, que jurava que podia sair por aí sem registro, hoje, adoro um documento.

E por falar em documento, renovei carteira de motorista, RG, contrato, matrícula. Desfiz uns tratos, arrumei pra cabeça. Quando me apertei, fui embora de onde não podia mais ficar e abri a cara, os dentes e os olhos pra brisa nova entrar. Fui de porta em porta, de mão em mão. E havia dias que a angústia era tamanha que parecia encobrir a força. De sorriso em sorriso, também chorei. E muito.

Nesta gestação, me conectei com novos laços, observei os espaços, me atraquei na vida, mudei para o outro lado da rua e passei a mudar também o cabelo toda vez que tinha vontade. Dia descabelada, dia penteada, dia triste, dia entusiasmada! Cheguei aos nove meses com mil incertezas sobre os próximos três, e morando numa kitnet de três cômodos onde chamo de lar. Mas uma coisa afirmo: de todos os 'porres' este foi, sem dúvida, o que TOMEI certo. Parti e não me arrependo!

Hoje, quando completo nove meses na cidade nova, também me encontro colhendo - digamos -, mais uma primavera. E como falou um amigo, eu só queria dizer ao papai noel que não se incomode! Tô satisfeita meu bem, um bêijo, abraço e, claro, feliz natal HO HO HO!

Se por um lado, me sobram motivos pra lembrar das dificuldades que passei, por outro, transbordam a gratidão, a cumplicidade, a experiência e o crescimento. Me lembro onde essa viagem começou... Me lembro detalhes como a temperatura que fazia; era alta. Era março. Deixei Londrina um dia depois de ir a formatura de uma amiga. Meu último dia foi de ressaca, mas a última noite... Ahh, a última noite!

Hoje, aos 24, me sinto menos careta, menos covarde, mais gente e mais amiga. Amiga de alguém que bato de frente diariamente; que às vezes me irrito, mas às vezes me divirto. Tô tentando entender essas coisa de ser uma boa companhia pra si mesma. E sabe o que mais? É foda! Às vezes dá saudade dos dias que fugia pra qualquer que fosse o compromisso esfriar a cabeça e sair lotando a agenda. Preciso - sim! -, de bons amigos, mas é comigo que terei de ficar. Não no sentido de estar só, mas é a mim que preciso compreender, respeitar e amar.

E afinal, porque é que a gente foge tanto desse tal amadurecimento? Ééééé, essa resposta ainda não tenho, assim como para tantas outras que me faço. Entretanto, no meio do caos e do embaraço, só consigo me lembrar do dia que engravidei! Era um cinco de março. E chegando no ônibus vendo o dia clarear da janela naquele hotel de frente a rodoviária, fiquei prenha do meu primeiro sonho; que entre outros, era crescer.

A propósito, comprei um violão.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Lembra dos dias azuis

Me cortei em partes... No começo, travesti meu coração e o fantasiei pro carnaval. Não fiz mais nada além de enchê-lo de bebida, de vícios, carências, bandeiras, fitas, purpurina e lentejoula. Daí cabô carnaval, cabô feriado, cabô traje azul-branco-verde descolado.

Na segunda parte o entupi de carboidratos. Tudo que tinha açúcar deixava o dia mais ironicamente amargo e também o céu da boca seco; cheio de sede e ao mesmo tempo molhado. Acho que é efeito biológico... médicos, pesquisas, especialistas... APONTAM?! Tem explicação? E daí cabô o serviço de quarto e fecharam a cozinha.

Então, na terceira (e também última) parte, já fraco e entupido, ele cuspiu sangue como se fosse a última vez que sobreviveria a um amor de fim de semana. Dali dois dias sumiria de vez e aSSUMIRIA o papel de desolado. Mas como não servia outro papel - a não ser o de protagonista -, foi também na terceira fatia {cansada, tum... tuum... tumm...), que descobriu o afeto de novo. Encontrou num amigo, no sorriso, na atendente daquela mercearia que costumava frequentar, e que mesmo depois de tempos sem voltar ela ainda lembrava o seu nome.

Que dó dá se livrar de passado... Não pode isso! Memória, passado, sentIA, irIA, farIA... Esses IA's todos fazem a gente olhar mesmo é pro ÃO! Olhar pra's coisas boas que passamos e também as que por aí virão.

De qualquer maneira o coração picado - ou fatiado -, fica igual porção de butiquim refinado. A batata frita, o franguinho no palito, o queijo cortado em cubinhos, a salsicha no pote de plástico... Ou ainda o ovo de codorna alaranjado!!! A gente fica bem apesar de o óleo da batata ser tão, ou mais velho, que o vidro de conserva. Pois fica bem.

Mas que é que tem o óleo velho? Que é que tem ser passado? De longe, depois de o tempo caminhar, a gente se acostuma com as mudanças e começa até rir do que deixou. Rir, gritar... Rir na hora de dar a descarga pensando e lembrando do ontem com metade da sobrancelha franzida.

Mas não quero aqui me confundir... Retomando a história do coração, é que no butiquim foi onde em três ele estava era em MIL. Mil partes... E aí que depois de provar cada conserva, também fui encontrando no chão os pedaços. Catei, colei, etiquetei.

Éééé... talvez não adiante tentar catalogar a coisa toda. Porque dali uns 80km a gasolina já muda de preço e o jeito vai ser se acostumar. Se adaptar e nunca enjoar dos dias azuis.

Penso que não enjoei do coração e nem de recompô-lo... Não enjoei de ser driblada por ele... Ainda não! Mas voltando pra casa ontem, "reparei que também tinha ficado lá...". E na próxima saída esqueço as chaves, o cartão do ônibus, o estojo, os óculos de grau... Mas não esqueço mais meu coração.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Professor! profeSSOOOr! PROF! psoor! Professoraaa!

É fácil sorrir quando as coisas vão bem e você não precisa olhar para circunstâncias, se queixar, ou enfrentar os desafios que assombram qualquer estudante recém formado que procure algo (de preferência!) na área. De preferência!
OK. Após quase um mês desempregada, sem eira, beira, e no limite para desistir e mandar uma carta para o quadro 'De volta pra minha terra', recebi a notícia de que havia uma oportunidade pintando...
Há um tempo, um conhecido comentou sobre a aventura que estava passando quando decidiu dar um tempo na publicidade e enveredar-se para os caminhos da educação.
Se passa que naquele episodio, eu era uma total e completa desconhecida deste universo. Não digo com relação a Academia; pois isso, um ano atrás estava correndo na veia, cabeça e corpo. Mas me refiro ao universo das vagas para lecionar em escola pública.
Existe uma lacuna, (se é que podemos chamar assim?!), onde em casos que falte profissionais com habilitação I, o Estado abre oportunidades para formados ou 'cursantes' de determinada área que se relacione de alguma maneira com a matéria em demanda.
Pois bem. Passado algumas semanas, recebo uma mensagem de uma colega, dizendo que naquele exato dia a gerência de educação abriria vagas para este tipo especifico de caso. E no MEU caso, a coisa poderia ir de sociologia a história.
Ocorreu que tomei um banho, meti uma camiseta e me mandei caçar a vaga. Sem muita expectativa, aqui dentro (onde a gente conversa com Deus nessas horas que bate um medo desgraçado), me posicionei de forma que se fosse pra rolar algo, que não houvesse qualquer obstáculo.
Chegando à gerência, subi as escadas daquele prédio gélido e cinza, com cartazes de alunos do fundamental espalhados nas paredes, e topei com um corredor longo com cadeiras posicionada lado a lado, e uma dúzia de professores que assim como eu, também esperavam por uma vaga X.
Um papo ali, outra aqui, olhei para o edital e resolvi que me inscreveria para História. Conversando com os demais, descobri que haviam, pelo menos, uns 4 concorrentes. Levantei de novo, dei uma andada no tal corredor, fixei os olhos no edital e pensei 'Vou tentar Português. PQP! É português, literatura e inglês! Mas PHODEU, é isso!'.
Sentei e a moça sorridente de cabelinho cacheado (agora sei o nome, Terezinha... um amor!) começou a chamada. Levantaram alguns pra sociologia, uns pra matemática, os outros quatro para história e, de repente, sobrou uma única pessoa para a vaga de português... SIM... sobrou EU!
Entrei na sala, e lá estava o diretor da escola; meio apressado, perguntou se eu podia começar naquele mesmo dia, pois os alunos já estavam sem professor há quase duas semanas.
Nessas horas você mal pensa que NUNCA teve experiência, e que dali algumas horas você será responsável por noves salas de diferentes idades, que estão em plena fase de absorção de conhecimento e aí, no ímpeto do que eu chamaria de #DESESPERO, você responde: "- Claro Diretor, hoje!".
Não poderia descrever os primeiros diálogos que tive nas salas iniciais. Estava tão nervosa que uma aluna pediu pra que eu parasse de andar de um lado para o outro. E uma curiosidade dos sagitarianos (oi, prazer, sagitariana!), é que quanto mais ansiosos estão, aí é quando a fala desanda que é uma maravilha = D
Não sei se isso foi bom, ou ruim, mas a cada dia que passava eu recebia forças divinas que me levavam a vencer o 'medinho' e deixar de lado a caganeira. Digo divina, porque passei a acreditar ainda mais em Deus e em como algumas coisas malucas podem te fazer viver experiências jamais imaginadas. Uma reviravolta? Sei lá! Vai entender!
Algumas das desventuras que vivi em sala, espero compartilhar nos próximos dias. Mas o que quero concluir neste texto, é que após um mês no 'Arnaldão', posso dizer em alto e bom tom: VIDA DE PROFESSOR É FOGO! rsrs
Você acorda, dá aula, volta pra casa, almoça, faz o planejamento, toma banho e lava a cabeça, pega o ônibus, dá aulas, volta pra casa, dorme, acorda, dá aula, volta pra casa, come o resto de ontem, faz o planejamento, toma banho e que se dane o cabelo, pega ônibus, toma chuva, dá aula... e bem, por aí vai...
Descobri um universo completamente novo e surreal, onde você conhece outros professores que te chamam de 'professor', alunos lindos que também te chamam de 'professor', uma coordenadora pedagógica de uma humanidade admirável que quando dirige-se a você, diz 'professora'. Acho que existe como um 'ACORDO OFICIAL' de se chamar sempre por professor. E... Bem, o que posso dizer? Tô com saudades de quando me chamavam de Renata, mas quer saber? Que se exploda! Rsrs
Depois de encarar de peito e cabeça aberta, posso dizer que mais do que ensinar, aprendi! Aprendi o quão maravilhoso pode ser você passar seu intervalo ouvindo um aluno; aprendi o quanto professor trabalha e ainda são criativos, fortes, amáveis, pais, mães e o que for necessário; aprendi a respeitar o tal fechamento de notas que tanto ouvia meus professores dizer; aprendi a reconhecer que estes pequenos caramujos com um mundo de coisas nas costas, só fazem você sentir-se uma lesma gigante, pois enquanto eles rapidamente crescem, observam, confiam, captam TUDO o que um professor fala, você fica ali, parado... E devagar começa a re-acreditar no poder da educação, do respeito a realidades diferentes, de um abraço bobo que te dão de graça... Passa a responder todas as perguntas escabrosas que os filhos da mãe - curiosos que são - fazem e... Bem...
Ahhhhhhhhhhhhhh, ainda tenho um par de histórias para compartilhar deste início de aventura. Segunda começo em duas novas escolas, pois hoje foi meu último dia no tal 'Arnaldão'. Depois de enfrentar diariamente 3h de ônibus, poucas horas dormidas, 8 aulas dadas, pauta, caderno, avaliação, sinal e diretoria, termino esta sexta-feira com o ciático travado pelas fortes emoções vividas neste último dia de aula. Recebi festinhas surpresas de sete salas = D Na última, chorei feito uma criança.
Fazer o que? Se a gente não 'vingar' com trabalho na área, é sempre bom lembrar de que o homem, meu velho... O homem não nasceu pra uma coisa só! E apesar daqueles dias difíceis da carteira de trabalho parada, é importante recordar que não é fácil se alegrar em determinadas fases, mas em outras... Cada riso de canto valerá a pena

À esquerda, em cima: primeirão noturno; abaixo segundão, e ao lado a sexta-série mais fofa deste mundo!

À direita, o terceirão acima, e em baixo a surpresa com a clássica "Fica, vai ter bolo"; ao lado, a sétima mais carinhosa deste universo!