segunda-feira, 8 de junho de 2015

os garotos que o mundo esqueceu

todas as festas de amanhã serão iguais as de ontem.
mal cheguei a cidade onde o barro gruda na barra da calça e me joguei na noite de londrininha como uma criança quando vai ao parque de diversões pela primeira vez.
todos os brinquedos pareciam interessantes, embora alguns soassem perigosos. e foi assim que me senti quando comecei a rever os rostos e seus respectivos copos.
os camisa de flor, os camisa aberta, os cabeludo, os hippies, beatniks, as botinas, os cabelos cumpridos acompanhados das barbas cheias, e os curtos encaracolados e até cacheados black power. a noite londrinense ainda sugere os mesmos efeitos visuais que um festival dos anos 60. Psicodélicos, punks, regueiro, cinéfilos, artesãs... Todo mundo tem dom nessa cidade onde até a terra tem cor.
todo mundo cria, rabisca, escreve, traça, registra, cozinha... Que saudade eu tava desses garotos que o mundo já esqueceu.
hoje a necessidade da forma e do concreto é absurda e já não mais bons goles como antigamente; não que eu os tenha apreciado, de maneira que isso seria impossível. mas o que quero dizer é quão importante este fluxo de pensamentos são para a construção do homem social.
o homem que não se distrai com sua própria gravata é como uma cachorro correndo atrás do próprio rabo.
não há nada que canse mais do que reclamar de pessoas iguais; e por isso decidi que esse sentimento e espectro do 'rolê chatissímo' está eliminado do vocabulário operacional nos fins de semana (e durante a semana também!). há muito o que relembrar, redescobrir... a cidade ainda tá colorida e o ceu lilás, rosa, vermelho... Já posso ver o barro encrostado nos pneus do fusca branco que logo logo vai tá amarelado.
os garotos que o mundo esqueceu são como os punks que a gente só conhece pelos livros censurados; eles pensam e criam além da conta! repetem os discursos, mas nunca as falas... porque desde que o mundo é mundo os anos 60 pede chapéu o bota, os 80 jaqueta ou all star e os 90 a camisa xadrez.
coisa boa é ver os garotos que o mundo já tinha esquecido.
o mundo ali sentada era eu.
que apesar de saber dos próximos papos das próximas festas, estava animada pra revê-los.

brincos analógicos que ganhei de uma amiga antes da última partida

quinta-feira, 21 de maio de 2015

o dia que eu ganhei meu fusca

Sabe aquele sentimento que você de repente é tomada e não consegue discernir se o que te consome é o choro, o riso ou a vontade LOOOOOOOOOOUCA de sair correndo e gritar pela janela do quarto "CAAAAAAAAAAAAAAAARAAAAAAAACA MULEQUE, ganhei um fusca!!", então!

Hoje eu vou escrever com uma linguagem que não costumo usar, uma coisa assim, sabe?! Meio informal, com um toque de entusiasmo não verbal, aliás! TOTALLY verbal porque é escrita né GENTE! Mas eu tenho de confessar que esse estilo tá me consumindo há uns 5 dias porque simplesmente viciei em assistir canais de mulheres inteligentes e bem resolvidas no Youtube. Pode pirar? Pode, mas segura a empolgação porque já ouvi essa história outras vezes. Massssssssss...

Então, eu sempre usei este espaço pra jorrar minhas melancolias e derrubar aqui tudo o que eu nem sempre tive coragem, ousadia ou até mesmo a CAPACIDADE de dizer na timeline da vida real (nem na do Facebook!), mas já era a hora dessa vibe ser substituída por uma nova, muito mais acessível e acessada. Que ceis acha?

Por isso, eu resolvi que vou virar VLOGUEIRA! Vou, me julguem! Mas tô no processo de desenvolvimento de pauta, assuntos, aprofundamento, referências, bagagens, trilhas, imagem, cenografia. CARAAAA é muita coisa!

Também tô com uma meia dúzia de notícias boas pra contar, mas que devagarzinho vou despejar aqui. Uma delas que eu já adianto porque não tô me aguentando é que eu ganhei um carro da minha mãe. Um carro não! UM FUUUUUUUUUUUUUUUSCA!!!!!! Tô doida pra vê-lo, consumir ele de amor e enchê-lo de boas histórias. Tava até pensando que daqui um ano eu posso tatuar alguma coisa que remeta as situações bizarras que eu vou ter passado nele. Imagina?! Ai meu corassaaaaum!

É OFICIAL, gente: Deus acordou ontem, olhou pra mim e disse: ESSA MENINA TÁ PRECISANDO DE UMA VIBE NOVA! Vou dar uma mãozinha...

Enlouqueci, mas que fique claro que JAMAIS farei a "superficial materialista". Só queria mesmo era compartilhar toda essa felicidade e também arrumar uma boa desculpa pra escrever no blog. Tô sentindo uma coisa tão boa, que nem sei!
Beijos e aguardem fotos, fatos e fiascos.


Esta sou eu, fotografada pela amiga Andry Freitas (Joinville - SC), possuída pelo efeito do meu alter-ego: "Prazer, um dia quero ser escritora"

quarta-feira, 22 de abril de 2015

dá tempo

dias de chuva me deixam com uma tendência enorme de curtir músicas melancólicas. tudo o que eu fiz foi abrir uma página em branco no word depois de ter dado a primeira descarga do dia e conferido os olhos limpos. o céu tava tão cinza que resolvi colocar cor no desktop.

tomei um chocoleite, trabalhei nos primeiros esboços da 'rotina' que eu não tenho, sentei na beirada da cama com perna de índio e li 5 capítulos do livro do conhecimento. pensei em algumas coisas das quais me fizeram sentir gratidão e conferi as mensagens do dia...

chequei o email e quando já passava das 11h resolvi descongelar algo enquanto recebia uma visita inesperada; não ficou pro almoço. nem eu fiquei pro almoço, e logo voltei pro quarto, coloquei a tela em posição de leitura, peguei aquela página em branco e comecei a escrever. o dia nem foi ruim, mas também não foi bom. fiquei entre o Ctrl tab e o Alt tab das 14h em diante.

vi trailers, assumi responsabilidades com o frela da semana, fechei uma matéria, não conversei muito; com quase ninguém. tô na expectativa de encontrar um rosto no banho que perdi no início dessa noite, mas de onde vem os olhos caídos que a gente arruma quando escuta uma música melancólica?

deveria me pintar de criatividade e usar um batom ainda que borrado pra refazer-me. mas estou tão cheia das coisas que prometi pra mim mesma no dia {pensando nessa noite} que mal posso lembrar do gosto daquela carne descongelada com batata, ou do chocoleite gelado.

mais uma vez esqueci de sentir o sabor das coisas e criei uma expectativa enorme em algo que nem sei o que é. esqueci de descansar, esqueci de não olhar pro relógio entre meio dia e uma da tarde.

mais um dia me livrei dos compromisso por ter realizado todos, mas não lembrei um minuto de que a última decisão sobre a fluência das coisas, fatos e providências deveriam me dar a mesma ou até maior alegria.

agora aqui sentada prestes a trocar a calça de pijamas e lavar o cabelo com água quente fico pensando no quanto a gente perde tempo quando quer ganhar algo. o que faltou foi compromisso? foi adiantar os trabalhos? foi realizar mais coisas?

não... talvez o que faltou foi ver menos. admirar ao máximo.
reconhecer o suficiente.
agradecer o bastante!
a noite ainda não terminou e o copo de 500ml com água que eu troco depois das 18h ficou cheio.
dá tempo... eu sei que ainda dá tempo.

terça-feira, 24 de março de 2015

Quando chegar a velhice

Se para cada defeito ou erro, fosse descontado um dia de nossas vidas, certamente viveríamos no máximo até a adolescência (isso, chutando alto!). Mas acontece que quando nos tornamos vulneráveis ao amor de Cristo, nem mesmo nossos 'inferninhos' cerebrais são capazes de manter qualquer que seja a vontade de permanecer independente.
Parece bizarro a forma como nós, seres humanos, lidamos com dificuldades pessoais; tentando escondê-las ou fugir de encará-las com o peito aberto... Mas demagogia a nossa pensar que somos verdadeiras inspirações ambulantes, que ao aconselhar um amigo, saímos com a ‘pseudo ideia’ de tê-lo ajudado. Mas a realidade, é que de nós mesmos não há tão boa intenção que seja capaz de escutar o outro e sofrer com ele. Sofrer por ele!
Nossa natureza egoísta e superficial resiste em tentar relacionamentos profundos e, por vezes digerimos um 'papo cabeça', em que tomamos como um comprimidinho de realidade, roubando de nós mesmos a possibilidade daquilo que enriqueceria outros com falhas semelhantes.
Falar do quanto somos burros pareceria vazio, e com o argumento de que estamos sempre buscando, nossa justificativa é que "- bem, somos imperfeitos'. 

Domesticar o coração pode ser uma boa solução para remedir os males da vida moderna, mas você vai tentar uma, duas, 3, e até 10 vezes, fazer algo que tenha mesmo sucesso emocional. E quando chegar a velhice vai perceber que embora você seja imperfeito, tentou ser alguém melhor a vida toda; mas infelizmente, não conseguiu.
Ter um coração contrito e quebrantado não quer dizer que você é mais um perfeitinho, que anda por aí com uma carteirinha do fã clube barato de pessoas descoladas e bacanas, mas é esquecer sua própria identidade e deixá-la morrer dia a dia com nossas vontades e ego inflado. É ser transparente consigo mesmo!
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Por uma busca de relacionamentos profundos, seja prático! E se der errado, tenta de novo. O pulo do gato está em permanecer alicerçado na certeza que somente Ele conhece as suas intenções.
“Saber que Deus conhece tudo a meu respeito e ainda me ama é de fato o meu maior conforto.” {R.C. Sproul}

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Mas me diz uma coisa

Quantos filmes melancólicos e de romance a gente precisa assistir e baixar a trilha sonora em seguida, pra fixá-la junto com a foto de alguém que sem querer passou pela cabeça enquanto as cenas de beijo se repetiam?! Não teve 'lá' tantas cenas de beijo, na verdade. A primeira, muito lembrou aquelas que acontecem na adolescência; quando a gente se coloca de frente pro box do chuveiro e o ar úmido nos faz salivar remetendo a ideia de um beijo calórico.

Quantas músicas a gente já não baixou só pra adicionar a playlist do celular que na manhã seguinte seria seu fiel companheiro para o trabalho. Quantas trilhas sonoras a gente já não designou pra cada cena que se vive, independente dos personagens. Eu, pessoalmente, confesso ser viciada na opção 'adicionadas recentemente' (este parágrafo não deveria estar aqui)

Sempre penso que em filme as coisas parecem nos trazer a respostas; é como ir a igreja e no final da ministração você chorar com a certeza de que precisava ouvir exatamente o que o pastor falou. Só que neste caso você tem mais dúvida porque o sentimento parece punir o coração... Como se só o sentimento 'do bem' fosse certo. Oras, mas aquele sentimento que dá quando os créditos estão subindo não se trata do mesmo que a gente sente no final da palavra?



Quase! Exceto pelo fato de que a causa - em um - vai te dar o norte pra semana, pro mês ou quem sabe até para aquele ano. Mas o outro... O outro é tão incerto quanto o final do filme quando a gente desconhece o diretor. "- Só espero que o final seja bom", exclamou!

Tem filme que é previsível; mas tem culto que é também. A dúvida é: Por causa de que a gente gosta tanto de cultivar um sentimento ou outro pra saciar um pergunta bruta que sacoleja o coração e faz a gente andar mais aquela milha? Sabe... coração não fica vazio. Se tá triste é porque tá triste. E se estiver feliz, pode saber que tem um motivo!

Mas me diz quantas letras de músicas você já não precisou jogar no Google pra saber o significado em português??? Quem dera a gente pudesse fazer a mesma coisa com o coração... Era bater diferente que a gente jogava no cérebro. Jogava e pedia a tradução.




terça-feira, 14 de outubro de 2014

Sobretudo

Sabe aquela roupa velha que a gente gosta de usar sempre que o inverno chega? E aquele chinelo antigo - de couro -, que você estica no pé assim que bate o primeiro vento de verão. "- Lá vem o sol", você diz animado em poder calçar os sapatos da antiga estação. É mais fácil a gente buscar no armário a roupa já batida e bem adaptada ao corpo, que experimentar uma nova e tentar buscar nela o conforto de outrora.

Nem sempre a camiseta nova, apesar de bonita, vai vestir bem ao sair da loja. O novo é estranho, é desajeitado. O novo mete medo; mete a nossa cara pra aventura e eu, bem... Eu que quase não gosto disso, por intensos segundos de insanidade penso que largar aquele velho sobretudo e vestir uma jaqueta de couro, com direito a colocar os pés na estrada hmmm... "- Quem sabe essa não seria uma boa pedida?" exclamo! Mas o novo... O novo é difícil.

Sobretudo é na solidão do armário escuro que você encontra aquela camiseta ainda na etiqueta e que sem querer cê esqueceu de tirar do embrulho. É no cheiro de naftalina que você descobre a vantagem do perfume que só a roupa nova tem. É na sensação da malha gastada que você se lembra que um '100% algodão' vai te deixar muito mais aconchegante.

Mas vestir o que? Com que roupa vou se eu já nem sei mais escolher entre saia e sapatilha, ou calça e tênis velho?! Perdi o tato pra isso; e vez em quando confesso gostar daquela regata que um dia teve mangas. Mas o novo... O novo parece convidativo.


Enquanto as atualizações do Facebook apontam a placar cravado nas disputas deste segundo turno, imagino que com tanta coisa pra se preocupar, porque eu haveria de me vestir? De novo? Do novo? Sosseguei a alma deste a última chuvarada e nem mesmo o novo faz do meu provador a festa. Achei que era cedo, mas já era quase novembro. E o novo... O novo parece legal ainda que apareça vestido de terno e calça social.

Pra bom entender, sobretudo aquele que vez ou outra já trocou o velho pelo novo, é sempre bom ter um 'pretinho básico' no armário. Sabe? Aquele que vai com tudo? (...) Pois então.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Minha saúde não é de ferro

Acontece que na contagem dos dias a gente pensa, mais do que faz. Mas vai dizer que o tempo não é a melhor maneira de a gente encarar a vida...? De um lado, o ponteiro que marca os fatos; do outro, o ponteiro que marca as histórias. Entre uma coisa e a segunda, a leveza de ser o que é sem a pressa de 'tornar-se', ou a nostalgia de 'ter sido'.

As conversas descabidas mais iludem que desfazem os nós. E eu, que adoro uma complicação me entrego em 3,2,1 pra uma masturbação mental daquelas de passar o almoço mexendo a farofa no feijão. Desenfreada, eu não passo sequer um dia sem que brote aquele "mas e se?" entre a certeza e a vontade derradeira de fazer... E acontecer. Só que no que acontece, ocorre que nem mesmo aquilo que não brota em nada gera nada, porque é das exclamações e interrogações que a gente chega a um ponto final.

Meu problema é que nesses papos de botequim (todavia fora de hora, e de espaço), é que eu nunca ouço e saio como quem escutou a hora certa no rádio. Eu fico pensando, pensando, pensando... Penso até que a angústia me leva ao nada. Imagino! Mas então porque diabos eu não aceito e me aproprio das convicções, ao invés de ficar lamentando as horas e traçando centenas de devaneios sobre as incertezas...??

{nem aqui, nem acolá}

Juro que tentarei me manifestar cada dia menos a respeito de tudo. Mas enquanto isso, vez ou outra, me pegarei falando daquilo que não tenho propriedade pelo simples fato de gostar de uma boa prosa. Mas não pretendo mais confundir boa prosa com conversa fiada. Essa última, só me traz caraminhola. E quando não, acabo por me enterrar numa porção de pensamentos feito lagoas rasas; que além de rasas, são também vazias.

Tenho acesso a muita coisa que preferia não ter. E às vezes até me pergunto se é por curiosidade que me escapa, ou se por um acaso as pessoas vêem em mim um ser humano confiável. De todo, não dá pra dizer o contrário, mas o problema é que minha maior infidelidade acaba sendo com a própria mente.
A boa (ou péssima?) notícia é que sou um bocado flexível... Ou diria volátil.