terça-feira, 24 de março de 2015

Quando chegar a velhice

Se para cada defeito ou erro, fosse descontado um dia de nossas vidas, certamente viveríamos no máximo até a adolescência (isso, chutando alto!). Mas acontece que quando nos tornamos vulneráveis ao amor de Cristo, nem mesmo nossos 'inferninhos' cerebrais são capazes de manter qualquer que seja a vontade de permanecer independente.
Parece bizarro a forma como nós, seres humanos, lidamos com dificuldades pessoais; tentando escondê-las ou fugir de encará-las com o peito aberto... Mas demagogia a nossa pensar que somos verdadeiras inspirações ambulantes, que ao aconselhar um amigo, saímos com a ‘pseudo ideia’ de tê-lo ajudado. Mas a realidade, é que de nós mesmos não há tão boa intenção que seja capaz de escutar o outro e sofrer com ele. Sofrer por ele!
Nossa natureza egoísta e superficial resiste em tentar relacionamentos profundos e, por vezes digerimos um 'papo cabeça', em que tomamos como um comprimidinho de realidade, roubando de nós mesmos a possibilidade daquilo que enriqueceria outros com falhas semelhantes.
Falar do quanto somos burros pareceria vazio, e com o argumento de que estamos sempre buscando, nossa justificativa é que "- bem, somos imperfeitos'. 

Domesticar o coração pode ser uma boa solução para remedir os males da vida moderna, mas você vai tentar uma, duas, 3, e até 10 vezes, fazer algo que tenha mesmo sucesso emocional. E quando chegar a velhice vai perceber que embora você seja imperfeito, tentou ser alguém melhor a vida toda; mas infelizmente, não conseguiu.
Ter um coração contrito e quebrantado não quer dizer que você é mais um perfeitinho, que anda por aí com uma carteirinha do fã clube barato de pessoas descoladas e bacanas, mas é esquecer sua própria identidade e deixá-la morrer dia a dia com nossas vontades e ego inflado. É ser transparente consigo mesmo!
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Por uma busca de relacionamentos profundos, seja prático! E se der errado, tenta de novo. O pulo do gato está em permanecer alicerçado na certeza que somente Ele conhece as suas intenções.
“Saber que Deus conhece tudo a meu respeito e ainda me ama é de fato o meu maior conforto.” {R.C. Sproul}

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Mas me diz uma coisa

Quantos filmes melancólicos e de romance a gente precisa assistir e baixar a trilha sonora em seguida, pra fixá-la junto com a foto de alguém que sem querer passou pela cabeça enquanto as cenas de beijo se repetiam?! Não teve 'lá' tantas cenas de beijo, na verdade. A primeira, muito lembrou aquelas que acontecem na adolescência; quando a gente se coloca de frente pro box do chuveiro e o ar úmido nos faz salivar remetendo a ideia de um beijo calórico.

Quantas músicas a gente já não baixou só pra adicionar a playlist do celular que na manhã seguinte seria seu fiel companheiro para o trabalho. Quantas trilhas sonoras a gente já não designou pra cada cena que se vive, independente dos personagens. Eu, pessoalmente, confesso ser viciada na opção 'adicionadas recentemente' (este parágrafo não deveria estar aqui)

Sempre penso que em filme as coisas parecem nos trazer a respostas; é como ir a igreja e no final da ministração você chorar com a certeza de que precisava ouvir exatamente o que o pastor falou. Só que neste caso você tem mais dúvida porque o sentimento parece punir o coração... Como se só o sentimento 'do bem' fosse certo. Oras, mas aquele sentimento que dá quando os créditos estão subindo não se trata do mesmo que a gente sente no final da palavra?



Quase! Exceto pelo fato de que a causa - em um - vai te dar o norte pra semana, pro mês ou quem sabe até para aquele ano. Mas o outro... O outro é tão incerto quanto o final do filme quando a gente desconhece o diretor. "- Só espero que o final seja bom", exclamou!

Tem filme que é previsível; mas tem culto que é também. A dúvida é: Por causa de que a gente gosta tanto de cultivar um sentimento ou outro pra saciar um pergunta bruta que sacoleja o coração e faz a gente andar mais aquela milha? Sabe... coração não fica vazio. Se tá triste é porque tá triste. E se estiver feliz, pode saber que tem um motivo!

Mas me diz quantas letras de músicas você já não precisou jogar no Google pra saber o significado em português??? Quem dera a gente pudesse fazer a mesma coisa com o coração... Era bater diferente que a gente jogava no cérebro. Jogava e pedia a tradução.




terça-feira, 14 de outubro de 2014

Sobretudo

Sabe aquela roupa velha que a gente gosta de usar sempre que o inverno chega? E aquele chinelo antigo - de couro -, que você estica no pé assim que bate o primeiro vento de verão. "- Lá vem o sol", você diz animado em poder calçar os sapatos da antiga estação. É mais fácil a gente buscar no armário a roupa já batida e bem adaptada ao corpo, que experimentar uma nova e tentar buscar nela o conforto de outrora.

Nem sempre a camiseta nova, apesar de bonita, vai vestir bem ao sair da loja. O novo é estranho, é desajeitado. O novo mete medo; mete a nossa cara pra aventura e eu, bem... Eu que quase não gosto disso, por intensos segundos de insanidade penso que largar aquele velho sobretudo e vestir uma jaqueta de couro, com direito a colocar os pés na estrada hmmm... "- Quem sabe essa não seria uma boa pedida?" exclamo! Mas o novo... O novo é difícil.

Sobretudo é na solidão do armário escuro que você encontra aquela camiseta ainda na etiqueta e que sem querer cê esqueceu de tirar do embrulho. É no cheiro de naftalina que você descobre a vantagem do perfume que só a roupa nova tem. É na sensação da malha gastada que você se lembra que um '100% algodão' vai te deixar muito mais aconchegante.

Mas vestir o que? Com que roupa vou se eu já nem sei mais escolher entre saia e sapatilha, ou calça e tênis velho?! Perdi o tato pra isso; e vez em quando confesso gostar daquela regata que um dia teve mangas. Mas o novo... O novo parece convidativo.


Enquanto as atualizações do Facebook apontam a placar cravado nas disputas deste segundo turno, imagino que com tanta coisa pra se preocupar, porque eu haveria de me vestir? De novo? Do novo? Sosseguei a alma deste a última chuvarada e nem mesmo o novo faz do meu provador a festa. Achei que era cedo, mas já era quase novembro. E o novo... O novo parece legal ainda que apareça vestido de terno e calça social.

Pra bom entender, sobretudo aquele que vez ou outra já trocou o velho pelo novo, é sempre bom ter um 'pretinho básico' no armário. Sabe? Aquele que vai com tudo? (...) Pois então.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Minha saúde não é de ferro

Acontece que na contagem dos dias a gente pensa, mais do que faz. Mas vai dizer que o tempo não é a melhor maneira de a gente encarar a vida...? De um lado, o ponteiro que marca os fatos; do outro, o ponteiro que marca as histórias. Entre uma coisa e a segunda, a leveza de ser o que é sem a pressa de 'tornar-se', ou a nostalgia de 'ter sido'.

As conversas descabidas mais iludem que desfazem os nós. E eu, que adoro uma complicação me entrego em 3,2,1 pra uma masturbação mental daquelas de passar o almoço mexendo a farofa no feijão. Desenfreada, eu não passo sequer um dia sem que brote aquele "mas e se?" entre a certeza e a vontade derradeira de fazer... E acontecer. Só que no que acontece, ocorre que nem mesmo aquilo que não brota em nada gera nada, porque é das exclamações e interrogações que a gente chega a um ponto final.

Meu problema é que nesses papos de botequim (todavia fora de hora, e de espaço), é que eu nunca ouço e saio como quem escutou a hora certa no rádio. Eu fico pensando, pensando, pensando... Penso até que a angústia me leva ao nada. Imagino! Mas então porque diabos eu não aceito e me aproprio das convicções, ao invés de ficar lamentando as horas e traçando centenas de devaneios sobre as incertezas...??

{nem aqui, nem acolá}

Juro que tentarei me manifestar cada dia menos a respeito de tudo. Mas enquanto isso, vez ou outra, me pegarei falando daquilo que não tenho propriedade pelo simples fato de gostar de uma boa prosa. Mas não pretendo mais confundir boa prosa com conversa fiada. Essa última, só me traz caraminhola. E quando não, acabo por me enterrar numa porção de pensamentos feito lagoas rasas; que além de rasas, são também vazias.

Tenho acesso a muita coisa que preferia não ter. E às vezes até me pergunto se é por curiosidade que me escapa, ou se por um acaso as pessoas vêem em mim um ser humano confiável. De todo, não dá pra dizer o contrário, mas o problema é que minha maior infidelidade acaba sendo com a própria mente.
A boa (ou péssima?) notícia é que sou um bocado flexível... Ou diria volátil.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

7 x 1

O Brasil perdeu... Justo no dia que ela perdeu também a razão. Foi à cidade providenciar o presente que daria a ele como prova do que o coração sentia. Nenhum dinheiro em nenhuma banco de nenhum caixa eletrônico. Tudo vazio. Sem presente, pensou "- Se o Brasil ganhar, ao menos eu falo". Mas o Brasil... O Brasil perdeu.

Eram 7 votos contra 1 pra que ela desse o que resolvi chamar de voto de misericórdia. Foi derradeiro. Tão derradeiro como os gols que se davam naqueles oito minutos de #EsquecePerdemos. Mais tarde, nesses mesmos "oito minutos", enviou uma mensagem que dizia quais os planos demasiadamente calculados para aquela data, mas frustrantemente (e repare na definição da palavra¹), o gol contra veio como uma lâmina afiada em seu peito.

Desvairada! Imagine só... Imagine a quantia de lágrimas que pôs se derramar quando da sua pseudo expectativa ela conquistou apenas o 'mensagem visualizada por'. O coração já nem sabia mais o que sentia. Enganado, humilhado, desconcertado.

Pensou estar na Bélgica quando entrou no supermercado e contando as moedas encontrou uma promoção na prateleira de bebidas quentes. Comprou algumas latas e veio caminhando como se estivesse num vídeo clipe agoniante. Fantasiosa e levada pelos sentimentos que criara, tomou aquelas cervejas quentes como quem toma um copo de água depois de caminhar na esteira por 45 min. E assim como na esteira, todo o caminho percorrido não a levara a lugar nenhum. Patinou. Dançou nos sentimentos e confiou que seu próprio plano de voo pudesse alçá-la do lugar.

Já virada durante o caminho de volta, encontrou um vizinho que costumava cumprimentar de longe e perdeu a noção do tempo que ficou lá; sentada em um devaneio insólito e descabido, ela aceitou os conselhos que o tal vizinho deu, mas mal conseguia ficar de pé quando disse que já estava tarde.

Depois de contar a ele o motivo paspalho pelo qual bebia aquelas latas quentes e chorava amargurada, ele a levou pelos braços até a rua de sua casa... E contando os passo até descalçar o tênis e abrir a porta, a última coisa de que se lembrava era "Tú é forte, mas precisa reconhecer a fraqueza".

No outro dia com a boca marrenta como se tivesse devorado um cacho cheio de bananas verdes, ela se levantou e recolheu as coisas que tinha espalhado pela casa. Olhou no celular e viu que fotos, mensagens e notas havia excluído. Nenhuma lembrança materializada. Nenhum rastro para provas concretas. "- Me livrei", pensou.

Há uma semana o sentimento preso lhe trazia a sensação de carregar 552 Kg nas costas. Livrou-se deles, mas enganou-se quando achou que se livraria também das tais lembranças. Tê-lo em sua companhia era quase como um tradição. Vivia o corriqueiro, e muito embora tivesse a certeza que jamais leria de novo aquelas derradeiras mensagens, ela sabia que, no fundo: a memória é - entre outras coisas - o fardo da alma.

{sua última aparição...}

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Uma média logo cedo

Passei o dia entre a linha do telefone e a linha do mouse. não, pera! eu não tenho telefone em casa; só tenho celular. mas supomos que tivesse eu teria passado o dia desse jeitinho que descrevi. fui a padaria comprar um pão pra almoçar e na volta passei no salão pra aparar a franja que cortei na última terça-feira e ficou torta. como sempre.

então voltei mais tarde e, a pé, sentia o vento gelado que bateu contra o meu rosto desprotegido. saí de cachecol, mas as bochechas avermelharam. nesse intervalo acabei sentando pra tomar algo. entrei num café e pedi uma média. acalento.

então me mandei com as moedas no bolso da calça e coloquei o cachecol diferente de como estava, pois já não precisava proteger de todo. o leite quente deu uma esquentada na pele descoberta e agora só minhas mãos permaneciam geladas... nos últimos dois meses elas só ficam quentes quando acordo. tenho vivido, como diria o velho deitado, "fortes emoções..."

entre uma espécie de raiva que às vezes, pungente, me acomete, acabo sempre me deparando com outra coisa. que tbm não é o oposto de raiva, mas é uma quietude que vem num pós choro. chóro sempre, sacumé?! só não choro em filmes. raramente! essa semana mesmo assisti a um que 98,3% do público feminino choraria. mas eu não; e não porque sou durona. pelo contrário! mas porque alguns roteiros me deixam tão aquém da veracidade que confesso ser um bocado realista. embora, pessoalmente, exista virtude em chorar no cinema. na maioria das vezes sou palco da minha própria atuação babaca.
com o programa de edição de fotos aberto, passei a tarde editando imagens e trabalhando nos textos que tenho de entregar pra edição deste mês. a propósito, a última vez que escrevi por aqui ainda fazia reportagem na editoria de economia do jornal local. agora trabalho em casa pra uma publicação voltada ao público xovem, mas acho que daqui uma ou duas semana irei pra uma Redação 'provisória'. veremos...

ontem a noite tive de responder a uma pergunta engraçada que, na verdade, acabou entregando toda ebulição que venho sentindo... "- me dá três qualidades dele". não sabia muito bem como responder, e comecei a imaginar adjetivos subjetivos, mas na primeira tentativa escutei um "mas isso? e cê não acha ele bonito? gatão?" e num riso acho que transpareci toda a minha atração admiração rsrsrs.

eu sei lá o que é lidar com essas coisas! e isso 'lá' se aprende? verdade seja dita, independente do que vier a acontecer, a dor... a dor precisa ser sentida! e assim como escutei também na noite passada, a principio isso pode parecer ruim, mas na realidade existe sempre um propósito de aprendizado naquilo que acontece com a gente. e todavia eu não tenha telefone em casa, sei que a preocupação com as coisas que não posso controlar é uma besteira gigante. o que? a conta? não! a linha. xii, me perdi.

são quinze para às 22h. e eu só queria dizer que é bom não ter certeza de tudo, mas neste momento eu, pelo menos, sei que o forno tá ligado e que meu jantar está pronto. vai um pão de queijo?


{escutando}

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Aspirador de pó

Uau, uau, uau... E lá se foi 2013. Lá se foi Londrina, lá se foi família, lá se foi comidinha na mesa, roupa passada, cama estendida, almoço de domingo, vida de recém-formado... Lá se foi o ano que durou, pelo menos, o peso de uns três.

Quanta coisa não aconteceu entre o primeiro de janeiro até este trinte e um de dezembro que agora nos acomete. Pergunto-me o que é que impulsionou chegarmos até aqui acabando com o ano antes que ele acabasse com a gente. Fora tudo o que já se sabe sobre a existência humana e sua capacidade em criar novos hábitos mesmo em esferas diferentes, penso que tenha algo maior.

Por diversas vezes durante os doze meses que agora se esvaem, quantas oportunidades não fomos tentados a desistir e sucumbir à ideia de voltar. Entre o ir e o sair pela porta de emergência, a corrida atrás do vento acabava soprando na direção contrária. Até se perceber que havia, ali, levando em consideração a menor distância, com melhor pavimentação, e considerando a opção mais recomendada pelo DNIT, nesses 516 km que me afastavam da tal ‘zona de conforto’, ééééé, tinha mais do que uma simples força de vontade em permanecer.

Mas imaginando todo este espectro de viagens fantasiosas ao redor do drama que consiste o viver, algo protagoniza um roteiro que de cabo a rabo acaba servindo de mola propulsora para nos levar a qualquer que seja nosso objetivo. Ambição, anseio, competição... Tudo isso pode, sim, potencializar a caminhada, mas nada disso é tão grande como aquilo que escolhemos pra chamar de SONHO.

Existe em cada um de nós uma vontadezinha, ainda que do tamaninho de uma formiga, a garra de carregar a folha até o destino onde pretendemos chegar. Identificar esse tal destino é que versa o grande desafio. Pois fazemos tripa coração para sobreviver em meio aos caos diário de nossas aflições recorrentes das adversidades humanas... A insegurança, a indecisão, a autossuficiência, o orgulho... Vez ou outra, olhamos no espelho pra dizer bom dia à alma. O corpo se estabelece feito um aspirador de pó que varre da nossa ‘casa’ tudo aquilo que pensamos não estar o.k., e junto da sujeira, vai o par de brincos que perdemos há tempos no tapete camuflado.

De carona com o fim de ano, vem sempre a vontade de remexer a poeira e reestabelecer novas metas. Pelo menos é o que me ocorre neste momento. Pessoalmente, acredito que não só é hora de trocar os lençóis e passar um pano na janela, mas também se faz necessário levantar o colchão e ligar a mangueira na vidraça. Pensar em novas metas é, de fato, uma coisa boa, mas ainda melhor é recordar das coisas que deixamos para trás sem resolver ou assinar o veredicto de ‘finito, afirmo e dou fé’.

Decidi que abrirei o velho saco do aspirador de pó e vou caçar o par de brincos filho da mãe que perdi há tempos. Se encontrar, pretendo polir, limpar, metê-lo na orelha e sair por aí bela e formosa. Darei de mentalizar novos projetos e pretendo fazer o que está ao meu alcance.  Mas se a hora pede planejamento, olharei no relógio ao menos durante os segundos daquele minuto que antecede a meia noite, e me permitirei refletir no impossível; pensar no inatingível e naquilo que só a fé poderia nos dar. Dá licença, meu bem, vou voltar a sonhar!


{Instagram do dia}